Práticas para uma Boa Governança Corporativa

Segundo o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), podemos definir a Governança Corporativa como “o sistema pelo qual as empresas e demais organizações são dirigidas, monitoradas e incentivadas, envolvendo os relacionamentos entre sócios, conselho de administração, diretoria, órgãos de fiscalização e controle e demais partes interessadas”.

Ainda de acordo com a definição do IBGC, “as boas práticas de Governança Corporativa convertem princípios básicos em recomendações objetivas, alinhando interesses com a finalidade de preservar e otimizar o valor econômico de longo prazo da organização, facilitando seu acesso a recursos e contribuindo para a qualidade da gestão da organização, sua longevidade e o bem comum”.

No entanto, não acredito em fórmulas sólidas, nas quais as empresas devem se adaptar para poder firmar-se como tais que seguem boas práticas de governança. Assim, para podermos analisar a melhor forma de criar um procedimento de governança corporativa é necessário levar em consideração o tamanho, modelo de negócio e estrutura cultural da empresa.

Empresas Horizontais x Empresas Verticais

Uma das principais características das startups, além do modelo de negócios escalável, é a horizontalidade da equipe. Neste formato, não existe gerentes ou chefes de equipe, assim, os setores conversam entre si sem intermediários e se reúnem para as tomadas de decisões em conjunto. No entanto, o modelo horizontal funciona bem até que a equipe comece a crescer substancialmente, prejudicando a interação e a comunicação da equipe. A maior parte das startups nacionais e internacionais que usam esse horizontal possuem até 30 funcionários. Contudo, ressalta-se a dificuldade em um “número limite” de funcionários para o formato horizontal funcionar adequadamente, pois cada empresa e equipe possuem suas particularidades.

Já empresas que possuem três ou mais setores, com responsabilidades distintas e tomadas de decisões independentes, o modelo vertical de equipe é o mais utilizado. Neste modelo, existe uma hierarquia bem definida, formada por presidentes, diretores, chefes de sessões, gerentes de equipe e assim por diante. Essa  hierarquia é uma das práticas de boa governança corporativa, pois permite construir um ambiente organizado e próspero.

A hierarquia não é somente desenhar uma cadeia de comando para sua empresa. É importante que sejam definidos os responsáveis pelas tomadas de decisões associados a um ambiente propício para que toda a equipe, junto do líder do setor, possam opinar e chegar à um acordo sobre as mudanças que devem ser submetidas para aprovação. Assim, é imprescindível que os responsáveis pelas tomadas de decisões vivenciem e entendam os processos antes de decidir algo, e que nunca o façam somente olhando para o papel.

A hierarquia ajuda a organizar, mas não deve impedir ou diminuir o diálogo.

Transparência é essencial

Para uma boa prática de governança corporativa é fundamental que haja  transparência interna, ou seja, entre setores e os funcionários e, quando aplicável, transparência externa, entre os investidores e sócios. A omissão de dados, não só administrativo-financeiros, para com a equipe ou sócios pode minar toda a confiança interna e externa e fazer uma empresa desmoronar. A falha de comunicação em uma empresa pode deixar os funcionários desmotivados, desinteressados e até mesmo pouco produtivos. Sócios e investidores que sentem-se excluídos da rotina da empresa podem acabar gerando conflito entre as lideranças e tomadas de decisões equivocadas.

Lembre-se: Informação deve ser compartilhada.

Equidade

Oferecer um tratamento justo e isonômico para seus funcionários é essencial para proporcionar um ambiente favorável ao crescimento da empresa, com uma competição interna saudável, cujo resultado será a alta produtividade.

Embora pareça algo trivial, muitas empresas ainda praticam políticas internas injustas para com seus colaboradores. Pagamento de salários e atribuições diferenciados para funcionários que exercem os mesmos cargos, além de benefícios e acesso a informações vetados a pessoas de mesmo cargo são algumas das práticas que fogem de uma boa prática de governança corporativa.

A falta de equidade em uma empresa é, além de uma falha ética, uma prática que leva a insatisfação, baixa produtividade e um ambiente de hostilidade entre os funcionários

Deveres iguais, direitos iguais!

Reuniões, Atas e Acompanhamento

Como já discutido, a comunicação é algo imprescindível para a saúde de uma empresa. No entanto, uma boa comunicação entre setores não funciona sem um acompanhamento. Uma boa prática de governança passa pela realização de reuniões periódicas, com definição de metas, registro em ata, elaboração de planos de ações e um calendário de acompanhamento das decisões tomadas.

De nada adianta definir metas, montar procedimentos e criar novas diretrizes se não houver um acompanhamento. A periodicidade do acompanhamento dos processos deve ser bem definido e cumprido à risca para garantir a mensuração do progresso das ações realizadas.

Planeje, Execute e Analise!

Nesse texto, eu apenas arranhei a ponta do iceberg para boas práticas de governança corporativa. Se pretende começar a aplicar em sua empresa, recomendo a leitura do Código das Melhores Práticas de Governança Corporativa desenvolvido pelo IBGC.

Se pretende implantar em sua empresa e gostaria de ajuda para tirar do papel tudo isso, fale com a consultoria do Reduza.me. Espero que tenham gostado do artigo. Deixem a opinião de vocês e compartilhe com os contatos.

Guilherme Reis
Gerente de Projetos, certificado PMP mas que gosta mesmo é de trabalhar com SCRUM. Desde 2005 trabalhando com gestão de processos, governança e projetos.
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